Entrevista Henry DeLoizier

 

Voce Sabia? Quem é o recordista do nosso campo?

 

 

por Jose Francisco Klujsza

 

O ano era 1975, em pleno Aberto do Petrópolis.

Jaime Gonzalez, um dos maiores nomes do golfe nacional, convidou seu colega de faculdade em Oklahoma, Henry DeLozier, para jogar alguns torneios no Brasil.  A agenda incluía o Petrópolis onde o Henry estabeleceu o recorde do campo, com 63 gross, que continua imbatível até os dias de hoje, quarenta anos depois.

Recentemente, surgiu a ideia de resgatar esse fato histórico para nosso clube através de uma conversa entre Lula Teixeira, Hélio Banal com alguns sócios daquela época, já que poucas pessoas sabiam do feito.  A partir disso, entramos em contato com o próprio Henry DeLozier que atualmente mora em Phoenix, Arizona, para que ele mesmo nos contasse sobre sua experiência no Petrópolis, o que acabou resultando numa agradável conversa com o nosso recordista:

JFK: Henry, antes de nada, gostaria de agradecer que você esteja dedicando um tempo da sua agenda para este bate-papo, além de estar sendo exigido lembrar de fatos que aconteceram há quarenta anos. Um teste e tanto de memória.  Conta para a gente como surgiu a ideia de vir ao Brasil e jogar o Aberto do Petrópolis?

HDL: Foi a convite do amigo Jaime Gonzalez.  Na época jogávamos no time de golfe da Universidade de Oklahoma State, nossa alma mater, e ele organizou tudo para que eu pudesse competir no Aberto do Petrópolis.  Para mim foi uma oportunidade de participar de uma competição internacional e fiquei bastante entusiasmado com a ideia.

JFK: Já se passaram quarenta anos desde que o recorde foi estabelecido.  O que você recorda daquela experiência no nosso clube?

HDL:  Lembro-me muito bem de três coisas.  Primeiramente, a generosa hospitalidade dos sócios do clube. Para mim foi uma honra competir naquele Aberto pois os sócios eram tão atenciosos comigo.  Além disso, a beleza natural do campo do Petrópolis, situado num  grande vale.  Lembro muito bem da belíssima vista do ultimo green e finalmente, lembro da grande honra que senti em participar do Aberto de vocês.

JFK: Henry, nós ainda somos reconhecidos pela hospitalidade e isso nos enche de orgulho. Porém, muitos vieram depois de você e ninguém foi capaz de quebrar o seu recorde.  O que exatamente aconteceu naquele dia?

HDL: Bom, estávamos no segundo dia do torneio, depois de um mal começo no primeiro dia, quando joguei 82.  Estava preocupado em frustrar meu amigo Jaime Gonzalez, quem me havia convidado para vir ao Brasil.  Era um jogador que admirava muito.  Portanto no segundo dia procurei me concentrar mais e jogar com mais determinação para tentar uma recuperação. O clima estava muito agradável e o campo em ótimas condições.  Os greens estavam tão bons que a gente achava que podia embocar cada putt. A inspiração começou quando consegui embocar da banca da esquerda do buraco 3.  A partir daí, começou uma sucessão de birdies.  Naquela época, estava bem treinado, com muita confiança no meu jogo. Fiquei muito feliz em fechar o segundo dia com 63, ou 7 abaixo do par, e terminei no terceiro dia com 68, não tão bom como na véspera mas, com certeza, bem melhor do que comecei o torneio.

JFK: Você já conseguiu quebrar recordes em outros campos?

HDL: É verdade que consegui bater recordes em outros campos nos Estados Unidos.  Mas nenhum deles foi tão memorável quanto o daquele dia no Petrópolis.

JFK: Como você tem acompanhado os preparativos para os Jogos Olimpicos no Brasil e o retorno do golfe como esporte olímpico?

HDL: Estamos acompanhando com muita atenção o golfe nas Olimpíadas.  Como milhões de golfistas ao redor do mundo, estarei seguindo com muito orgulho e entusiasmo o Brasil sendo o anfitrião do retorno do golfe como esporte olímpico.  Tenho certeza que muitos jogadores estarão indo visitar o país para jogar nos belos e desafiadores campos que tem o Brasil.

JFK: Como você se sente, depois de sua carreira como jogador, ter conseguido manter-se ligado ao esporte, agora como executivo?

HDL: Acho que tive sorte de poder ficar envolvido com o golfe por toda a minha vida.  Veja bem, depois de todos esses anos, eu me encontro agora como Sócio Principal da maior empresa de consultoria do mundo especializada em golfe.  È a Global Golf Advisors (www.globalgolfadvisors.com) que atende a mais de 2.700 clientes em muitos paises, com escritórios em Dublin (Irlanda), Phoenix (USA) e Toronto (Canada). Considero um privilegio poder servir ao esporte que tem proporcionado experiências tão memoráveis a tantas pessoas ao redor do mundo.

JFK: Você é sem dúvida dono de um currículo invejável no golfe, em todos os aspectos.  Que conselhos poderia  oferecer para o desenvolvimento do golfe no Brasil?  E para um clube de golfe como o nosso?

HDL: Primeiramente, sempre honrar o nosso esporte, e sobretudo incentivar crianças e mulheres para que joguem também.  As crianças são o future do golfe.  Suas mães e avós devem se sentir à vontade e muito bem-vindas no clube.  Quando as mães realmente incentivarem as crianças a jogar golfe, o esporte vai crescer muito.

JFK: Henry, conte um pouco sobre sua família.  Golfistas?

HDL: Meus filhos são grandes desportistas e também bons golfistas. Eles chegaram num nível bem elevado nos esportes que escolheram.  Allyn, minha filha, competiu no remo como timoneira do oito da Universidade de San Diego, Califórnia.  Meu filho Bennett foi o capitão do time de lacrosse da Universidade de Santa Clara, próximo a São Francisco.

Meu sogro competiu pela equipe de golfe da Universidade de Wake Forest com Arnold Palmer enquanto que Labron Harris, casado com minha irmã, competiu no US Tour durante 17 anos, e foi o campeão do Aberto Amador dos US em 1962.

JFK: Você tem planos para vir ao Brasil em breve?  A Rio 2016 seria uma ótima desculpa.

HDL: É bem possível que tenha viagens ao Brasil, pois nossa empresa tem clientes em varias partes do mundo.  Eu acredito que as Olimpíadas do Rio  vão contribuir para que o mundo veja o golfe como um esporte para muitos. E naquele momento, será o Brasil que estará liderando esse processo. Podem ter certeza que quando viaje ao Brasil farei questão de ir até Petrópolis.

JFK: Muito obrigado pela sua atenção, Henry.  Parabéns mais uma vez pelo recorde que continua imbatível no nosso clube, depois de tantos anos.  Tenho certeza que nossos sócios do Petrópolis ficarão contentes em conhecer o nosso recordista e esperamos você assim que possível no nosso clube.